quinta-feira, 22 de agosto de 2024

 

Simplificar

Quando chega esta época do ano, há que fazer um balanço do ano e da vida como um todo, uma preparação para o próximo ano e para os próximos passos. Penso que seja um ritual interno de cada um, ou se calhar de alguns, mas seja como for é algo que faço sempre e estimulo as pessoas a fazerem-no a fim de identificar onde melhorar, o que deixar ir, para onde caminhar…

E neste contexto, aproveitando que temos um feriado prolongado este ano, começamos este balanço aqui em casa e de uma forma bem prática, realista e de acordo com as nossas capacidades e necessidades atuais, porque a cada momento tudo pode mudar e temos que aceitar isto. Então, assim, desta vez resolvi assumir um verbo que é meu conhecido já há alguns anos: simplificar!

Não sei como é em vossa casa, mas aqui a preparação para o natal que envolve montar árvore, enfeites, luzes, prendas e outras milhentas coisinhas que tomam um tempo considerável meu e de todos, porque agora é arrumar e dentro de uns dias desmontar tudo… isto com uma parte da família a gostar e a outra a estar de corpo presente mas fazendo pouco…o processo de aceitação e paciência começa aí. Por isto, num ano onde tivemos que aprender a ceder tempo, espaço, aprender a falar e calar, aprender a estar todos juntos mesmo quando se queria estar mais isolado, o verbo a se viver foi o simplificar.

Na quarentena obrigatória tivemos que reorganizar os espaços físicos, tivemos que reorganizar as refeições, tivemos que reorganizar nossas mentes e emoções, tivemos que aprender que o caminho mais curto é o reto, que a clareza precisava ser maior para que não houvessem desentendimentos desnecessário… tivemos que olhar para os nossos limites e limitações, enfim foi duro mas foi bom.

E com isto, simplifiquei a vida de tal ordem, que quando chegou o dia de montar a árvore de natal deixei de ter uma enorme, com muitas luzes e enfeites para ter uma árvore ecológica, simples e fácil, onde levamos 30 minutos, se muito, a decorar e o restante do tempo foi mesmo a gozar a companhia uns dos outros numa mesa com comidinhas boas, com risadas e conversas. De repente a vida passa, e o que fica são as memórias, são estas risadas… no final ganhamos qualidade de vida mais do que qualquer coisa.

Quando falamos de simplificar não podemos perder o bom senso e a direção, eu adoro natal e decoração de natal, de ver uma árvore com luzes e recordar as muitas árvores que vi e decorei ao longo do caminho. Não deixei de ter este prazer, só que o tornei mais fácil, com menos exigência e mais prazer. Não se pode falar em simplificar e cortar tudo a eito, pois deixa de ser verdadeiro, deixa de ser crescer e passar a ser punição, passa a ser culpa e onde isto nos levará?

Simplificar é deixar ir de forma consciente objetos, pessoas, situações que já não precisamos ou não queremos daquela maneira. É olhar para quem somos e reconhecer o que de fato precisamos e o quanto precisamos. Há coisas básicas na vida que são necessárias e há coisas que nem são básicas mas ainda assim necessárias, só que precisamos saber distinguir entre elas para não nos forçar a viver um estado de tem que ser, porque é o correto ou o adequado.

Na vida o certo e o errado, o adequado e o inadequado vão variar de vivencias, de personalidades, de contextos… a capacidade de adaptação do ser humano é gigante e nem por isto fácil. Então antes de se adaptar a qualquer coisa, olhe para dentro de si e se pergunte, posso viver isto por quanto tempo, até onde consigo aceitar isto sem me perder ou mutilar. Perguntas diretas, respostas simples, não elabora não que isto é a sua mente criando as desculpas perfeitas para sim e para não. Simplifica a sua reposta para que ela seja real, para que seja verdadeira e sustentável ao longo do tempo.

Há coisas, pessoas e situações que facilmente deixo ir, mas há muito que não, que preciso de tempo para me adaptar, para compreender, para acalmar internamente. Quer um exemplo bem básico disto? Adoro pequeno almoço, adoro tomar café com leite, pão com manteiga e geleias, mas sempre que vou a uma consulta a primeira coisa que querem que mude é isto, por todas as razões mais uma, e eu as sei bem, afinal tenho formação bem profunda disto. E então você deve estar a se perguntar qual a razão de eu não mudar isto, não é? A minha resposta é simples, tenho memórias afetivas a cerca do pequeno almoço que não tem preço, adoro sentar com o marido e as filhas pela manhã e começar o nosso dia assim entre comidas e conversas, adoro tomar esta refeição com as amigas num café ou em casa de uma de nós, adoro este convívio é o meu prazer. Então posso fazer muitas adaptações mas esta não, este é o meu limite e tudo bem. Nas demais refeições faço tudo direitinho e com isto ganho qualidade de vida e saúde. Não precisamos abrir mão de tudo, mas temos que reconhecer o que importa e o nosso limite para que tudo o mais funcione.

Neste mês onde a ordem é dar, doe seu tempo, onde a ordem é comprar, faça compras consciente com pequenos produtores e artesãos, onde a ordem é sossegar, recolha-se dentro de si mesmo e cuida de estar bem. Nada nesta vida é definitivo exceto a morte, então vive hoje, aproveita hoje, torna sua vida mais simples não porque é moda, mas porque é bom para você e do seu jeito.

Quando a vida lhe dá tempo, pense, quando lhe dá movimento, faça… mas sempre dentro das suas capacidades e possibilidades. Aceitar a humanidade de cada um e a nossa própria, é uma boa forma de simplificar o mito da super mulher e do super homem, e estarmos mais pacificados com a vida e com o caminho.

Um Santo natal para todos e que 2021 traga toda luz que precisamos para sermos mais gente, e gente do bem!

Jaqueline Reyes


 

Mova-se!

Recebi uma mensagem linda que trouxe para partilhar com todos, porque com a chegada do ano novo, temos mais de 300 dias para criar e re-criar as nossas vidas, as nossas escolhas, rever e mudar caminhos ou maneiras de estar na vida… enfim. Nos é dado a possibilidade de escolher mais e melhor, escolher entre o que nos faz bem e o que podemos ser, escolher entre estar focados no negativo ou no positivo, muitas escolhas de todos os dias e escolhas de uma vida.

A vida acontece para quem se mexe, para quem faz acontecer, ainda que nem tudo aconteça como queremos, como sonhamos, como planeamos, ainda assim a vida acontece da melhor maneira para que cada um de nós possa ser o seu melhor, possa ser feliz e saudável, possa fazer diferente ou a diferença.

Num momento onde tudo é colocado em causa por conta de um vírus que não sabemos ao certo aonde nos leva, e só nos cabe tomar conta de nós e de quem nos cerca, é importante manter-se focado, centrado e em movimento continuo para que os pensamentos não tomem conta, para que o medo não seja maior do que a esperança e o bom senso, para que a saude física e mental sejam uma constante no meio das atribulações todas.

Dentre tantas épocas da vida, é esta a de maior desafio? É esta a de maior dor ou alegria? A vida tem demasiados altos e baixos para pensarmos que é estática e imutável. A alegria passa e a dor também, e entre uma e outra, temos que viver o melhor que podemos com o que temos, portanto: mexa-se!

Coloque cor e movimento no seu dia a dia, nas suas conversas, nas suas comidas, coloque movimento no bom dia e no adeus, e no final do seu dia vai perceber que viveu, que não ficou em brancas nuvens… que não importando a idade ou qual estágio de vida que se encontra, pode sempre mexer com a vida de alguém de forma mais positiva ou só com a sua mesmo, e tudo bem. O mais importante aqui não é o alcance e sim a ação repetida de ser e viver movendo-se com a vida todas as santas horas.

Para 2021 desejo um chuva de movimentos na vida de todos, para que a roda da vida gire e nos traga melhores oportunidades, melhores risadas, pensamentos mais leves e atitudes mais profundas. Que a vida aconteça para todos!

Bom ano!
Jaqueline Reyes

 

Paciência e controle

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Photo by Pixabay on Pexels.com

Em tempos de “fica em casa” nos pomos a pensar sobre o que é importante nesta vida, e chego a conclusão que sendo um Ser social para mim o convívio é muito importante. Adoro um silencio, um sossego, adoro estar comigo mesma mas é porque escolho estar na minha própria companhia, mas desde o ano passado o desafio tem sido rever a forma como as relações acontecem na minha vida e o quanto eu dou de mim para as mesmas. Já se perguntou quanto tempo dedica aos amigos, família e pessoas que gosta?

As relações são alimentos de alma e das emoções, então o tempo que dedicamos a esta área da nossa vida quer dizer muito sobre a nossa saúde emocional e mental. Sei que tem tempos de COVID não muito que se possa fazer, mas mesmo assim, sempre existe uma forma de validarmos estas relações e com as ferramentas tecnológicas disponíveis não dá para não fazer nada.

No consultório atendo pessoas de várias idades com diferentes sintomas com a mesma origem: solidão ou ausência de convívio social. O que dizer para um adolescente que deveria estar com os amigos a aprender os próprios limites, a rir e chorar sobre os imensos “dramas” de ser um adolescente? E quem diz um adolescente, diz também crianças, diz pessoas de todas as idades… quantos de nós não tem saudades de uma coisa bem corriqueira como ir tomar café com amigos?

Hoje valido cada vez mais os pequenos atos, a simplicidade de ser e viver coisas rotineiras que dão cor as nossas vidas. Então, por mais que se queira sair do confinamento, primeiro pense em como o fará, e o que fará porque é nossa responsabilidade manter os níveis de cuidados sanitários controlados. Queremos sair e conviver? Claro que sim, mas com calma, saia com calma… mantenha-se em controle e faça escolhas não só pelas suas saudades mas pelo bem estar de todos.

Março é o mês onde estamos pelas costuras, onde todos queremos ver de novo o movimento da vida, mas se não houver atenção isto ainda pode ser mais complicado. E quando isto termina? Termina se cada um fizer a sua parte, cuidar de si e dos demais, conviver sim mas com cuidados, voltar a vida aos poucos… por mais urgência de viver que se tenha, é preciso lembrar o que nos fez ficar em lockdown… precisamos de ir e tornar aos poucos para que ninguém se perca.

Se tenho saudades de viver a vida como dantes? Quem não tem saudades disso?

A vida vem nos ensinando o desafio de vencer a nós mesmos, muito mais do que os outros, é vencer as nossas “necessidades” e “vontades”… aprender que caminho do meio serve para tudo nesta vida.

Planeia sua vida, sua rotina de forma a viver e conviver mas sem fazer muitos “estragos”, ser responsável nunca foi tão importante quanto agora.

Se queremos um mundo melhor, precisamos ser pessoas melhores e fazer melhor.

Bom Março!
Jaqueline Reyes

Foco

 

Onde anda o foco da sua atenção?

Photo by Bess Hamiti from Pexels

Há dias que venho sendo confrontada e venho confrontando outros com a mesma questão, pois é muito fácil perdemos o rumo quando tudo parece nos solicitar de alguma forma. E nos tempos que correm, quando as notícias boas se perdem no meio de tanto acontecimento complicado é muito importante o foco.

Mas o que é manter o foco? Como manter o foco quando a cabeça parece que funciona sozinha e num ritmo alucinante? Qual foco mesmo?

A vida não pára só porque queremos ou precisamos de uns segundos de sossego. Então, manter o foco requer não só atitude e disciplina, às vezes requer também suplementos e fitoterápicos que um profissional de saúde pode-lhe ajudar a escolher de forma adequada à sua idade e situação, mas é preciso a clareza de perceber que nem sempre vamos lá sozinhos.

O que sugiro é algo bem simples: comece por se perguntar aonde anda o seu pensamento, que tipo de pensamento anda a ter com maior relevânciaou em numero de vezes. Consegue mudar o pensamento quando se apercebe que o foco foi desviado? Consegue manter-se centrado quando as pessoas de alguma forma querem “brigar” ou “culpar” a sua pessoa de algo que não lhe pertence? Já se perguntou porque ainda repete este mesmo tipo de situação?

Quando começamos a tomar conta do que andamos a pensar, de onde aqueles pensamentos nos levam, e acordamos para a vida, de forma a não sermos conduzidos pelos pensamentosmas sermos nós os condutores do que pensamos, esta simples tomada de consciência já é um passo gigante no processo de manter o foco onde se quer. É o primeiro passo, e talvez nem seja difícil de o fazer, mas então vem aquelas situações onde o exterior, e aqui entram pessoas e acontecimentos, que tentam a todo custo nos remover do centro. E como fazem isto? Liga a televisão e veja só noticias ruins, vai perceber como em pouco tempo vai começar a ter problemas para dormir, pode até sentir um aperto no estômago ou coração, e isto ocorre porque dentro de cada um de nós existe em maior ou menor quantidade o medo e a empatia, medo de sofrer e a empatia pela dor do outro. Dois sentimentos perfeitamente normais… mas em tempos de crise o bom senso precisa imperar, então não é se desligar da realidade, mas perceber até onde pode ir com ela, e o que pode fazer para ajudar positivamente a si e aos demais. Esteja atento ao que ouve, lê e vê.

A outra maneira é de sermos abanados do nosso foco. São as pessoas que querem toda a nossa “ajuda”, ou “atenção”, ou “amor”, ou ainda querem ter “razão”… poderia passar um dia a escrever sobre as muitas maneiras criativas que as pessoas usam para “roubarem” energia por meio do papel da vitima e nós os culpados ou maus da fita. Não tenha problema em ser o mau da fita se for para não se envolver nestas situações onde a perda de energia e foco é garantida. Olhe para cada pessoa e veja o que está por detrás daquela ação, ela realmente precisa de ajuda, ou só que mais e mais “atenção”? Não são pessoas más, só estão num processo de falta ou perda de energia, e para repor a energia delas entram nestes papeis e buscam as pessoas que estão aparentemente melhor do que elas. Digo aparente, porque nem sempre aquele que parece calmo está de fato calmo, aquele que parece bem nem sempre está bem, mas ambos estão dando o seu melhor para se manterem centrados. Aqui o dizer “não” é cuidar de respeitar o seu próprio limite é que vai definir a sua capacidade de manter-se focado. Força nisto!

Enquanto pessoa que atua como mãe, profissional de saúde, esposa, filha, irmã, amiga… que vive neste dias o melhor que pode, tenho que aprender a dizer não a todo momento, e para mim o natural é o sim, é o dar, o fazer… e por isto mesmo sei o quão duro é dizer não, é impor limites e estar ausente por escolha dos dramas ou questões que sei aquela pessoa é capaz de o resolver. Para muitos clientes isto pode parecer que os abandonei, mas o fato é que isto os faz se mexerem, e mais de uma vez tive que o fazer e depois estas mesmas pessoas vieram me agradecer, embora tenham naquele momento me “odiado”… ouvi isto uma vez e achei o máximo, porque a pessoa que disse isto era um doce de pessoa mas tinha dentro dela tanto sentimento reprimido em nome do ser bom que finalmente encarou e mudou para melhor. Só esclarecendo que ele já tinha muita ferramenta para sozinho dar estes passos, e que se precisasse de fato eu estaria lá. Então, em nome de nos mantermos centrados e focados, dizer não e impor limite é fundamental, é o amor duro em ação.

Abril vem com muitas aberturas e algumas mudanças, todos andamos querendo sair, viver, ser, estar… mas precisamos de ter o bom senso de manter o foco no que importa: saúde e respeito pelo ser humano que TODOS somos. O seu direito de ir a praia termina onde começa o meu, então que tal irmos saindo aos poucos, voltarmos a vida aos poucos como quem está a descobrir o mundo?

Para cada escolha teremos uma resposta, que possamos escolher o melhor para nós e para os outros nós que fazem parte do mundo que vivemos, de forma que a resposta futura seja fantástica para todos.

Jaqueline Reyes