quinta-feira, 22 de agosto de 2024

Foco

 

Onde anda o foco da sua atenção?

Photo by Bess Hamiti from Pexels

Há dias que venho sendo confrontada e venho confrontando outros com a mesma questão, pois é muito fácil perdemos o rumo quando tudo parece nos solicitar de alguma forma. E nos tempos que correm, quando as notícias boas se perdem no meio de tanto acontecimento complicado é muito importante o foco.

Mas o que é manter o foco? Como manter o foco quando a cabeça parece que funciona sozinha e num ritmo alucinante? Qual foco mesmo?

A vida não pára só porque queremos ou precisamos de uns segundos de sossego. Então, manter o foco requer não só atitude e disciplina, às vezes requer também suplementos e fitoterápicos que um profissional de saúde pode-lhe ajudar a escolher de forma adequada à sua idade e situação, mas é preciso a clareza de perceber que nem sempre vamos lá sozinhos.

O que sugiro é algo bem simples: comece por se perguntar aonde anda o seu pensamento, que tipo de pensamento anda a ter com maior relevânciaou em numero de vezes. Consegue mudar o pensamento quando se apercebe que o foco foi desviado? Consegue manter-se centrado quando as pessoas de alguma forma querem “brigar” ou “culpar” a sua pessoa de algo que não lhe pertence? Já se perguntou porque ainda repete este mesmo tipo de situação?

Quando começamos a tomar conta do que andamos a pensar, de onde aqueles pensamentos nos levam, e acordamos para a vida, de forma a não sermos conduzidos pelos pensamentosmas sermos nós os condutores do que pensamos, esta simples tomada de consciência já é um passo gigante no processo de manter o foco onde se quer. É o primeiro passo, e talvez nem seja difícil de o fazer, mas então vem aquelas situações onde o exterior, e aqui entram pessoas e acontecimentos, que tentam a todo custo nos remover do centro. E como fazem isto? Liga a televisão e veja só noticias ruins, vai perceber como em pouco tempo vai começar a ter problemas para dormir, pode até sentir um aperto no estômago ou coração, e isto ocorre porque dentro de cada um de nós existe em maior ou menor quantidade o medo e a empatia, medo de sofrer e a empatia pela dor do outro. Dois sentimentos perfeitamente normais… mas em tempos de crise o bom senso precisa imperar, então não é se desligar da realidade, mas perceber até onde pode ir com ela, e o que pode fazer para ajudar positivamente a si e aos demais. Esteja atento ao que ouve, lê e vê.

A outra maneira é de sermos abanados do nosso foco. São as pessoas que querem toda a nossa “ajuda”, ou “atenção”, ou “amor”, ou ainda querem ter “razão”… poderia passar um dia a escrever sobre as muitas maneiras criativas que as pessoas usam para “roubarem” energia por meio do papel da vitima e nós os culpados ou maus da fita. Não tenha problema em ser o mau da fita se for para não se envolver nestas situações onde a perda de energia e foco é garantida. Olhe para cada pessoa e veja o que está por detrás daquela ação, ela realmente precisa de ajuda, ou só que mais e mais “atenção”? Não são pessoas más, só estão num processo de falta ou perda de energia, e para repor a energia delas entram nestes papeis e buscam as pessoas que estão aparentemente melhor do que elas. Digo aparente, porque nem sempre aquele que parece calmo está de fato calmo, aquele que parece bem nem sempre está bem, mas ambos estão dando o seu melhor para se manterem centrados. Aqui o dizer “não” é cuidar de respeitar o seu próprio limite é que vai definir a sua capacidade de manter-se focado. Força nisto!

Enquanto pessoa que atua como mãe, profissional de saúde, esposa, filha, irmã, amiga… que vive neste dias o melhor que pode, tenho que aprender a dizer não a todo momento, e para mim o natural é o sim, é o dar, o fazer… e por isto mesmo sei o quão duro é dizer não, é impor limites e estar ausente por escolha dos dramas ou questões que sei aquela pessoa é capaz de o resolver. Para muitos clientes isto pode parecer que os abandonei, mas o fato é que isto os faz se mexerem, e mais de uma vez tive que o fazer e depois estas mesmas pessoas vieram me agradecer, embora tenham naquele momento me “odiado”… ouvi isto uma vez e achei o máximo, porque a pessoa que disse isto era um doce de pessoa mas tinha dentro dela tanto sentimento reprimido em nome do ser bom que finalmente encarou e mudou para melhor. Só esclarecendo que ele já tinha muita ferramenta para sozinho dar estes passos, e que se precisasse de fato eu estaria lá. Então, em nome de nos mantermos centrados e focados, dizer não e impor limite é fundamental, é o amor duro em ação.

Abril vem com muitas aberturas e algumas mudanças, todos andamos querendo sair, viver, ser, estar… mas precisamos de ter o bom senso de manter o foco no que importa: saúde e respeito pelo ser humano que TODOS somos. O seu direito de ir a praia termina onde começa o meu, então que tal irmos saindo aos poucos, voltarmos a vida aos poucos como quem está a descobrir o mundo?

Para cada escolha teremos uma resposta, que possamos escolher o melhor para nós e para os outros nós que fazem parte do mundo que vivemos, de forma que a resposta futura seja fantástica para todos.

Jaqueline Reyes

Maio e Mãe...

 

Maio e Mãe…

…hoje eu li uma mensagem linda que era sobre o amor de mãe e filhos, que há sentimentos que nem sempre são falados, mas que estão lá.

Amor de mãe é assim, um sentimento tão profundo que não há nada que não façamos pelos filhos, desde sonhar com eles, planear mil e uma coisa para eles se divertirem, comerem… é como se a gente quisesse estar em cada pedacinho da vida deles. Fazer parte deles… fazer parte do caminho deles… até um dia sermos lembranças boas para eles.

Estas últimas duas semanas não tem sido fáceis para mim e para os meus irmãos, pois temos nossa mãe num leito de hospital a fazer o melhor que pode, com a ajuda inexplicável de toda uma equipe médica que só podemos agradecer a cada dia que passa, pela atitude humana deles com ela e connosco. Então, escrever sobre mãe e maternidade neste momento é um rever a minha vida toda com as lembranças da mulher fantástica que é a minha mãe. Todas as mulheres da minha família, tias, avós, irmãs e primas são também Leoas na proteção de seus filhos e sobrinhos… tivemos e temos a sorte de ter estas matriarcas todas como exemplo ao longo da nossas vidas. Começa com a minha bisavó Maria da Luz, que não nos deixou chamar de bisavó nunca…risos… por aí vão vendo o tipo de mulher de opinião forte, depois minha avó Mariquinha que era outra que não tinha papas na língua, a mulher media no máximo 1,58cm e brigava como se tivesse 1,80cm… e adorava um convívio, minhas tias avós que eram uns doces de pessoas, minhas tias todas umas lutadoras pela vida e pelos seus sonhos…enfim, mães e mulheres.

Penso que a maternidade nasce com o filho e não com a gente, nunca pensei bem em como seria enquanto mãe, e ao bem da verdade acerto numas e erro noutras, peço desculpas pelos erros feitos em nome do “acertar”, porque não há mãe neste mundo que não cometa estes deslizes, porque amamos tanto e queremos tanto que os nossos filhos estejam bem, sejam felizes… que vivam o melhor deles e do mundo, que nesta ansia as vezes “pecamos”. E digo pecar aqui é muito abrangente, desde dar uns gritos para ver se o povo ouve, como ir checar como anda a vida social das filhas, porque mãe que é mãe sempre checa os amigos dos filhos para ter uma noção do ambiente que circunda tudo.

Olhando para trás, vejo muito da minha mãe em mim, e noutras vezes vejo muito das tias, e também das mães das minhas amigas, porque cada uma a seu tempo teve um forte impacto na minha maneira de ser e de ver o mundo. A minha mãe sempre foi de conversar, de nos levar a ver o melhor da vida para queremos mais e melhor pra nós, e isto implicava em dedicação e trabalho, nada neste mundo acontece sem que haja empenho e compromisso. Então o grande investimento dos meus pais foi mesmo a nossa educação e cultura.

Agora que sou mãe, percebo o quão longe é este empenho e compromisso, porque é preciso ensinar os filhos a pensarem, a voarem… mas ao mesmo tempo são os nossos pequeninos ali bem diante do mundo, e nesta fase da vida já sei que nem tudo é lindo, que existe muita gente boa e outras que nem por isto. E até onde ir nisto de proteger e de “libertar” o filho para os voos deles? Onde está o manual de instrução para acertar neste papel?

Penso que todos os pais um dia se deparam com este momento, onde é hora deles saírem e nós ficarmos em casa a espera deles. Tenho que confessar que das primeiras vezes foram mais duras. E hoje que olho lá no passado, consigo entender a coragem da minha mãe em me deixar voar, a coragem e clareza dela em perceber que eu não iria sossegar enquanto não fosse correr o mundo… e ela soube como me preparar para isto e soube também se preparar para isto… enquanto toda gente lhe dizia para não fazer, ela assumia que não poderia me colocar num quadrado porque eu pensava muito fora da caixinha para isto… assim são as mães que pelos seus filhos vencem os próprios medos, porque não nos cabe aprisiona-los nos nossos medos.

Não sei se existe fórmula ou maneira certa de ser mãe. Agora que sou uma, vejo que para cada filha preciso de ser um tipo de mãe, que embora as regras sejam parecidas, para cada uma há uma maneira de as aplicar… e isto dá trabalho, mas aos poucos vamos vendo os resultados com as atitudes delas, com a forma delas serem enquanto pessoas, e isto é muito bom, faz valer a pena tudo. Não somos mães para nós, somos mães para o mundo dos nossos filhos serem melhor.

Nas últimas vezes que falei com a minha mãe por telefone, ela me dizia que tinha orgulho da filha que eu era… mesmo discordando de muitas coisas, afinal temos formas de ser distintas, tínhamos um querer em comum para quem amamos: que estivessem bem. Por todas as vezes que tivemos que aprender as duas a contornar nossas “diferenças”, tivemos muitas risadas e choros a mistura, tivemos amor e respeito… e se ela tinha orgulho na filha que criou, eu tenho gratidão profunda pelo exemplo de amor sem fim e uma imensa capacidade de perdoar que ela sempre teve.

Não sei se sou uma mãe convicta, ainda não sei bem se a maternidade é de fato natureza do feminino, sei que enquanto mãe faço o meu melhor, leio um monte, estudo, procura ajuda para aquilo que não entendo ou resolvo, porque ao fim e ao cabo ser mãe foi uma escolha, e para cada escolha um trabalho precisa de ser feito. Não penso que ter filhos seja a única forma de concretizarmos a maternidade, porque vejo imensa gente vivendo a maternidade na solidariedade, no papel de tios, e mil e uma maneira de ser “mãe”.

Então neste dia da mãe, fica o meu desejo de que caso tenha sua mãe por perto que possa abraçar e dizer o quanto a ama, se tiver sua mãe mais longe que possa ligar e lhe falar, e no caso de já não poder contactar que possa rezar e recordar o amor todo que um dia teve, porque mãe ama mesmo quando nos descompõem, quando diz que já não aguenta mais…risos… as mães são assim um caso sério e digno de ser estudado pela ciência.

Hoje não rezo para que as mães sejam eternas, mas para que dentro da lembrança de cada filho os gestos de amor sejam eternos, porque a vida é finita o amor não.

Um maio de amor para todos.

Jaqueline Reyes

 

Fragilidade

Photo by Samuel Silitonga from Pexels

A vida mudou muito nos últimos meses e fiquei afastada para poder absorver o mundo de coisas que aconteceram comigo e com os meus. Escrever é abrir a alma até mais do que abrir o coração, por isto precisava de tempo para olhar para tudo, e neste tempo uma palavra tem sido constante: fragilidade.

A fragilidade da vida, que de um momento para o outro se finda, a fragilidade dos sentimentos que condicionam as nossas vidas e as nossas respostas a vida, a fragilidade dos pensamentos que por vezes consomem em “ses” e “tem que ser”, a fragilidade do amor que de alguma forma sempre pede por algo e nem todos são capazes de dar a “resposta certa”, a fragilidade das relações que se sustentam num só ser, a fragilidade das palavras que nem sempre traduzem tudo ou são compreendidas como foram ditas ou escritas… a fragilidade é uma constante em todo ser humano.

Como pessoa sempre olhei para a minha fragilidade com um certo quê de “medo”, afinal por natureza vou em frente, avanço sobre os “medos” e só desisto se não tiver outra forma. Mas precisei chegar aos 51 para perceber que a fragilidade é um “limite” de sanidade saudável, porque nos obriga a pensar, a rever, a equacionar se estamos no caminho certo, faz-nos mais humanos.

Na minha profissão vejo a fragilidade de terceiros todos os dias, vejo cada um dando o seu melhor para lidar com elas, e nestes últimos dois anos o estado de fragilidade ficou maior e mais abrangente. Hoje a fragilidade dos jovens tem haver com “não ter tempo para viver tudo o que querem”, para os mais velhos é a partida que fica mais próxima e no meio destas duas faixas etárias estamos nós que já vivemos algo mas não tudo, que temos filhos para educar e formar, que temos planos e sonhos ainda por realizar… só que de repente onde começa e termina a força e a fragilidade ?

Muito se tem falado sobre a desportista americana que deu um grito de “não posso mais”, que colocou para fora sua fragilidade… uns apoiam outros criticam, mas o fato é que uma pessoa para chegar neste ponto ultrapassou a si mesma. Então, quantas pessoas você conhece que já estiveram ou estão neste ponto? Você mesmo já esteve alguma vez neste ponto de “tirem-me daqui”?

Quem já lá esteve sabe que não é fácil ser forte por tanto tempo e de repente desmoronar, ninguém quer admitir a própria fragilidade, como se fosse uma vergonha. Como mãe constantemente reforço o fato de respeitarem o seus limites, e embora nem sempre as filhas ouçam, faz parte do pacote de ser adolescente o sentir-se invencível, e com isto as vezes só param quando já entraram na linha vermelha do limite. E aí surtam com uma pinta…a vida é assim para a maioria de nós, e não depende da idade ou educação, é um para mim um mistério por resolver. Porque não paramos no sinal amarelo, mas só no vermelho?

O olhar para a fragilidade nossa e de cada um com empatia, com a mente aberta é uma ótima opção, embora não seja fácil, mas quem sabe se cada um de nós se colocar no lugar do outro isto possa ficar mais leve. Sou muito a favor da ajuda profissional para trabalharmos estas questões de forma racional e equilibrada, ninguém tem que ficar sofrendo ou ter vergonha de se tratar, porque a fragilidade pode levar a extremos muito perigosos e que poderiam ser contornados ou até resolvidos de outra maneira.

Assim como o luto que tem várias fases, a fragilidade também as tem, e negar é uma delas a outra é se enterrar -se nela dizendo “eu sou assim e pronto”… gente, para tudo na vida há formas de trabalhar e tratar, mas colocar a cabeça no buraco não ajuda não, ao contrário, perde-se um tempo que não temos. Olhe para si mesmo hoje e veja o que gostava de melhorar, o que gostava de alterar na sua forma de ser e estar na vida, porque as vezes não podemos mudar o lugar aonde estamos, as pessoas com quem estamos, mas podemos mudar a forma como as vivemos, este é o ponto onde pode actuar e fazer diferença.

No Reiki usamos muito o “só por hoje”, e esta frase para mim é luz e amparo, porque só por hoje sou capaz de olhar para dor e dizer ok, você está aqui, mas houveram dias de alegria também. Só por hoje posso olhar para as saudades e lembrar que houveram abraços e risos, posso olhar para a vida e perceber que há muitos altos e baixos e que fazem parte, e tudo bem.

A vida muda, nós mudamos, as nossas fragilidades e forças também mudam, porque quem fomos ontem já não somos hoje, e muito depende de como queremos viver e ser daqui para frente.

Desejo que cada um possa ser o seu melhor com tudo o que se é, que tenha força para dizer não quero isto e quero aquilo, que tenha resiliência para os momentos onde tudo parece escuro e sanidade para os momentos de total efusão… porque o caminho do meio se constrói a cada momento por meio das escolhas e ações.

A vida não é perfeita, mas é boa!

Abraço,
Jaqueline Reyes

quinta-feira, 5 de março de 2015

mudar é preciso...


Mudar é preciso...

Quando olho para a trás na vida percebo que todas as mudanças que ocorreram foram em última instância processos que por vezes foram doloridos, lentos, quiça até difíceis ou não mas que me conduziram num crescer. Crescer como pessoa, crescer como mulher, crescer como profissional, crescer como amiga, crescer como companheira, crescer como filha e depois como mãe... todas as mudaças sem exceção me levaram a crescer querendo ou não.
Mudar é um processo que nos faz despir não só o corpo, mas despir a alma. Nos obriga a rever tudo, dos conceitos aos sentimentos, da matéria ao espírito... parace que todas as caixinhas internas são reviradas, são mexidas, são tocadas... não há como mudar sem abrir tudo para criar espaços, para deixar ir, para olhar para tudo aquilo e reviver, repensar...
E nesta fase de re-ver, ver de novo, percebo o muito que caminhei, o muito que ainda tenho que deixar ir... e deixar ir o medo de mudar, o medo do que a mudança pode trazer ou tirar agora não só da minha pessoa, mas dos que amo. Parece que este processo "piora" ou fica mais"duro" quanto mais gente estiver envolvida nele. Por que aí não são só os nossos sentimentos, medos e esperanças, mas daqueles que nos tocam também.
Como pessoa não se chega aos 45 anos sem ter mudado muito, sem ter ganhado e perdido muito, a vida não nos permite isto.
Como mãe é perceber que há muito que posso fazer, mas ainda há mais do que nada ou pouco posso fazer, e então vem um exercício de entrega, de fé e de aceitação que é maior do que a vida. Não dá para mudar sem ter dúvidas e certezas, sem ter medos e esperanças, sem acreditar ou minimamente esperar que seja para melhor.
Álias, sempre acreditei que mudanças são para melhor sempre, ainda que não percebamos muito bem isto no começo. Mas depois de atravessar o túnel escuro, de quem já não está num ponto e ainda não chegou no outro, sempre tem-se aquela sensação de que foi bom, de que valeu a pena.
Acho que mudar para cada um tem um significado, um modo de acontecer que vai desde o suave até o radical, depende das resistências e apegos de cada fase da vida... mas independente do significado tem etapas que não se pulam.
A etapa do querer ou desejar mudar, é um misto de sentimentos que nos invadem gerando uma insatisfação, uma sensação de que algo não está completo, de que o corpo, a mente ou o espiríto precisam de mais qualquer "coisa". E nesta etapa ansiamos ou desejamos mudar algo, por vezes nem se sabe direito o que se quer mudar, ou o que precisa ser mudado. Mas a necessidade está ali presente e tomando forma.
Então o Universo percebe isto, e aqui sempre me pergunto se ele percebe isto antes de nós mesmos e nos inspira a isto, ou se percebe o que sentimos e então começa a soprar os ventos para tal acontecimento. Seja como for parece que tudo vai se encaixando ou desencaixando... mas fato é que os ventos da mudança agitam criam ondas que nos fazem nos mexer.
Não dizem que por vezes só aprendemos a nadar quando a água bate no nosso traseiro?
Quando a água está bem perto, começa a etapa do qual a direção seguir, é o tomar consciência do que de fato queremos ou precisamos mudar. Aqui é preciso humildade, uma humildade de quem se conhece e conhecendo-se desta maneira mais profunda ou honesta, entende que atingiu um limite ou patamar que requer expansão ou simplesmente abrir mão do controle. A pessoa humilde aceita que é hora, aceita que há o tempo de plantar e o de colher, o de nascer e o de morrer. Neste ponto de norte a chave é a honestidade e a prioridade, porque o ego pode se disfarçar de humildade e aceitação, daqueles estados de absoluta abnegação que depois se transformará num agente cobrador de tudo e de todos.
Saber qual é o seu norte, é já ter alguma consciência de quem se é, do que se quer ou pelo menos saber o que não se quer de todo. Grande passo este de saber o que não se quer.
Partimos da necessidade para o norte, mas então entra o compasso de espera, qual é o tempo certo para cada mudança? Quando mudar? Perguntas e mais perguntas, é a etapa do medo. O medo existe não como uma sombra que deveria aterrorizar, mas como um sentimento que nos faz questionar. E se tem uma coisa que é muito importante numa mudança é de fato a capacidade de racionalizar tudo, de pesar tudo, de pensar tudo, de questionar tudo e todos... não dá para entrar num barco de mudança sem estar com os olhos bem abertos. Do contrário o baque emocional e físico podem ser demasiados, e sem estas estruturas mudar se transforma em dor que pode se tornar insustentável.
Passado este tempo do medo, da noite escura da alma, finalmente vê-se alguma luz surgir, a etapa da esperança e criação. Nesta etapa ainda não estamos de todo sem as marcas do "medo" mas já se comece a perceber que o "objeto" do desejo de mudar afinal era algo pertinente. Vem um alívio junto com esta contestação, porque ninguém parte para uma mudança sem ter alguém que nos fique a paulatinamente dizer: será? Olha que lá pode ser pior? O desconhecido é desconfortável?
Parece que o medo que havia dentro de nós fica ali sendo reprisado e repetido por aquele ou aqueles seres de uma forma a minar o estabelecer da etapa da esperança e criação. Então ficamos entre o que queremos e o que já temos. A etapa da escolha clara e definitiva de embarcar ou não no mudar.
Quando se chega nesta etapa da escolha, tem algo interessante, porque quando a acolhemos é uma sensação poderosa de liberdade, de poder, de que tudo podemos. Mas precisamos de estar atentos para não criar ilusões.
Confesso que sou mental para tudo isto, tenho sempre mil perguntas e dúvidas, mil planos e processos...risos... sou a mulher da organização e do controle. E talvez por isto mesmo mudar para mim precisa de ser algo que eu possa minimamente organizar.
E na etapa da escolha a chave é a organização e a fé. É preciso muita fé para dar este passo definitivo de mudar. Porque não sabemos de todo o que nos espera do outro lado da ponte, do outro lado do rio... temos a impressão de que pode ser tudo de bom, mas também temos a sombra do medo dizendo: será?!
Ultrapassadas estas fases todas vem uma que é preciosa, é hora de desapegar, de deixar ir, de dizer adeus... o desapegar já é mais fácil, os anos ajudam nisto. O deixar ir já é um pouco mais complexo porque a idade também nos diz que nem sempre voltamos a ver este ou aquele personagem, tudo mudará e deixar ir é aceitar que tudo muda. Dizer adeus é o misto do desapego com o deixar ir só que numa base muito mais emocional, passional, porque envolvem pessoas que amamos ou não. É aqui que fica o que tem que ficar e parte o que precisa partir, não é processo doce ou suave, é talvez depois da noite escura da alma, a etapa que mais requer fé e amor. Um amor maior do mundo por você mesmo, pela vida, pela esperança de dias melhores.
Estamos quase no final da ponte onde voltar já não é possível e agora é sempre em frente. Avante soldados! Somos soldados das nossas vidas, somos os que lutam para sermos melhores, mais felizes mais realizados.
Quando cruzamos mesmo a linha de chegada que é a etapa do estabelecer-se precisamos estar inteiros, o que nem sempre ocorre porque entre um passo e outros de uma etapa para outra, vamos nos perdendo e achando, vamos nos fortalecendo e enfraquecendo... é a dualidade no seu melhor. Mas chegar do outro lado nos faz ver a luz de novo, é como o nascer do dia que traz esperanças, que traz uma brisa suave de quem diz: bem vindo!
Então, olhamos para trás e percebemos que tal e qual o conto de Platão sobre a caverna, a gente tinha medo de mudar, mas ao aceitar o desafio crescemos muito e temos muito para contar, temos em nós memórias que não possuem preço e que vão contar muito quando só que tivermos forem as memórias do que vivemos.
Sim, mudar dá medo, um medo que nem sempre é facil de se ultrapassar, que nos faz guerrear com Deus e o mundo, até nos rendermos humildemente as evidências de que tudo acontece por obra divina. E somos deuses em ação. Somos frutos das nossas escolhas e escolher mudar é vencer a nós próprios primeiro, e tornar a fé não um ato isolado de oração, mas uma atitude permamente de confiança de que Deus sempre olha por nós.
Hoje sinto que Deus olha por mim, olha pelos meus onde quer que eles estejam. Mas sempre que posso rezo e digo que seja para o nosso bem maior, porque não quero errar com ninguém muito menos com quem amo mais do que tudo.
Que Deus olhe por todos e por você também!


Escrito por Jaqueline Reyes às 05h16