quinta-feira, 5 de março de 2015

as mulheres...


"Nego submeter-me ao medo,
Que tira a alegria da minha liberdade,
Que não me deixa arriscar nada,
Que me torna pequeno e mesquinho,
Que me amarra,
Que não me deixa ser directo e franco,
Que me persegue,
Que ocupa negativamente a minha imaginação,
Que sempre pinta visões sombrias,
No entanto, não quero levantar barricadas por medo do medo.
EU QUERO VIVER, não quero encerrar-me.
Não quero ser amigável por medo de ser sincero.
QUERO PISAR FIRME PORQUE ESTOU SEGURO.
E não quero encobrir o meu medo.
E quando me calo, quero fazê-lo por amor,
E não por temer as consequências das minhas palavras.
Não quero acreditar em algo por medo de acreditar.
Não quero filosofar por medo que algo possa atingir-me de perto.
Não quero dobrar-me, por medo de não ser amável.
Não quero impor algo aos outros, por medo de que possam impor-me algo a mim.
Por medo de errar não quero tornar-me inactivo.
Não quero voltar para o velho, o inaceitável, por medo de não me sentir seguro no novo.
Não quero fazer-me de importante por medo de ser ignorado.
POR CONVICÇÃO DE AMOR, quero fazer o que faço e deixar de fazer o que deixo de fazer.
Do medo quero arrancar o domínio e dá-lo ao amor.
E QUERO CRER NO REINO QUE EXISTE EM MIM ."
 
Rudolf Steiner
 
Recebi e adorei cada palavra, é como se fosse o meu coração falando através da minha boca.
Quantos medos criamos, vivemos, sobrevivemos e um dia descobrimos o "ridículo" dos mesmos. Então finalmente nos libertamos e podemos seguir em frente.
Enquanto espíritos sabemos que tudo o que vivemos neste exato momento já foi vivido. Enquanto seres humanos, ainda estamos vivenciando a dor e a alegria do ser.
Por isto nem sempre é fácil, mas cada vez que nos libertamos dos fantasmas do medo, viver torna-se mais colorido e divertido.
Que Deus nos ajude nesta libertação dos medos.
 
Namastê,
 
Jaqueline Reyes


Escrito por Jaqueline Reyes às 15h47
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As Grandes Mulheres...
 
...as grandes mulheres da minha vida tem sido mesmo as Marias, as Amélias, as Anas, as Teresas, as que saem de casa com o coração apertado porque deixam os seus pequenos entregues a terceiros. Ainda que os terceiros sejam de confiança, sejam carinhosos, sejam atentos. Sejam o que sejam, não somos nós as suas mães, e por mais que amem, nunca hão de amar como nós.
A minha vida toda vivi rodeada de grandes figuras femininas, daquelas que fazem tudo e mais um pouco desde o amanhecer até o cair da noite, e conseguem chegar em casa e dar beijinhos nos filhos.
Enquanto filha sempre achei que este seria o usual, que deveria mesmo ser assim. Nunca pensei no quanto aquilo deveria "custar" para a minha mãe.
Hoje como mãe, vejo que o dia parece estar cada dia mais curto e que nem sempre consigo o tempo que gostaria para fazer as coisas como deseja que fossem.
Olho para as mulheres da minha vida e vejo em cada uma a força que movimenta o universo feminino. Uma força que vem, nasce, não sei onde dentre os mil afazeres, os sonhos e as solicitações da vida diária.
A minha bisavó era a própria matriarca que no organizava a vida de todos de forma que cada um tinha a certeza de que as ideias, inspirações, que tinham para as suas vidas vinham deles próprios e não das palavras sábias daquela velhinha pequenina. Ela fazia com que todos seguissem o que ela considerava correto, e nem sempre era possível perceber isto. A isto chamo de sabedoria no que toca as inter-relações, e para o universo masculino de onde ela provinha, só sabendo agir subtilmente para poder atingir o que desejava.
Já a minha avó, era tudo muito claro, tipo pão é pão, e queijo é queijo. Não tem aqui nem meias verdades e nem subtilezas. Ela tinha a capacidade de ver longe e de topar as pessoas antes mesmo delas próprias. É claro que com isto aprende-se a ser sempre honesto, era bobagem tentar enganar a velhinha. A preocupação dela com os filhos fez com que vivesse por mais de 10 anos só com 10% de um pulmão a funcionar, os médicos nunca conseguiam acreditar que ela sobreviveria a cada AVC, ela teve pelo menos 4, e nunca desistiu. Talvez o maior exemplo dela tenha sido o da luta. As Marias sempre lutam, lutam pelos seus filhos, pelos seus pais, pelos seus sonhos...lutar é um verbo feminino.
Da minha mãe aprendi o perdoar, a capacidade de perdoar é algo de extraordinário nela. Podiam fazer o que fizessem, ela sempre conseguiu ver o lado positivo das pessoas, das situações e perdoar. No mundo em que vivemos, onde errar é uma questão muito "simples", perdoar se faz necessário para podermos continuar com o nosso caminho sem perder o rumo.
Numa familia onde as mulheres são fortes é dificil não sê-lo também, até por referência/modelo, e claro que com isto só poderia atrair para minha vida grandes amigas.
Com as minhas amigas de percurso, aprendi a fé e a capacidade de que somente os grandes amigos tem de estarem do nosso lado mesmo quando não concordam connosco ou vivem do outro lado do oceano. Com as minhas amigas aprendi que estar presente é uma dádiva que podemos compartilhar. Sinto imensa saudades delas, por vezes me apetecia tê-las aqui pra gente rir, conversar, rezar juntas... parece que ouço as risadas bem humoradas da minha amiga Aldina, os concelhos sábios da Doris, e agora o apoio da minha nova amiga Ana. Mas antes delas houveram outras que fizeram parte um caminho de muitos aprendizados da infância, adolescência, juventude, idade adulta.
Agora aprendo com as minhas filhas, que são uma força da natureza e possuem a capacidade de deixar os meus dias mais iluminados com seus beijos, abraços, sorrisos...mas nem sempre e fácil.
Das grandes mulheres na minha vida, hoje percebo melhor o papel das minhas irmãs que iguais a mim são diferentes e que me ajudaram a descobrir as minhas próprias grandezas e sombras.
No ano passado houveram grandes mulheres que de certa forma também me ensinaram a olhar para mim, e a aprender a colocar limites de forma clara.
Vivo cercada de grandes mulheres, todas faces umas das outras, até parece o quadro do Klint que eu adoro.
Não dá para ser somente a menina, é preciso ser a Maria, a Teresa, a Ana, a Sofia, a Lúcia, a Sandra, a Karoline, a Luz... é preciso ser a Aldina, a Doris, a Rosanna, a Grizel, a Paula, a Márcia, a Silmara... é preciso também ser mulher para entender o universo feminino.
Ser mulher é ser guerreira e ser enfermeira. Ser mãe é ser luta e paz. Ser profissional é ser clareza e persistência.
Das grandes mulheres na minha aprendi que ser mulher é chorar de saudades dos filhos, colocar batom na boca e sair para trabalhar.
Hoje lembrei de cada uma delas, e senti saudades.
Não dava para estar aqui a escrever sem pensar em todas de forma muito carinhosa e grata.
Ainda não sei se sou realmente grata as feministas, adoro o meu trabalho, mas e a familia onde fica nisto tudo ?
Em honra as grandes mulheres da minha vida educo mais duas.
Que o universo possa ser cada vez mais equilibrado entre o ser homem e ser mulher, entre o ser mãe e ser filha.
 
Namastê,
 
Jaqueline Reyes


Escrito por Jaqueline Reyes às 18h27

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