quinta-feira, 5 de março de 2015

no que acreditar...


No que acreditar quando procurar uma resposta ?
 
Eu sempre penso que tudo que me acontece tem uma razão maior do que aquela que aparentemente se mostra.
Mas ultimamente pergunto-me um número considerável de vezes : no que acreditar ?
Somos bombardeados por "informações" de todos os tipos, umas mais positivas que outras, temos a nossa própria vida acontecendo num brindar de novidades e acontecimentos, e de repente parece que em algum lugar ou perdemos o nosso rumo ou então algo mudou dentro e talvez fora de nós que ainda não nos demos conta.
Então fica a pergunta:  no que acreditar ?
No rumo e conceitos que dantes eram os "certos" e "verdadeiros" para mim ou naqueles que se apresentam neste momento ?
Se antes era tudo bem, porque a necessidade de mudar ?
Será que a necessidade de mudar vem antes do mudar, ou o mudar vem com a necessidade ?
Para cada lado que me viro ouço ou vejo uma informação diferente e por vezes só se tornam complementares pela sintese que faço das mesmas. Então percebo que ao buscar as "respostas" do lado de fora por vezes trazem mais "conflitos" dos que eu esperava. E segue a mesma questão: no que acreditar ?
Depois de quase um ano de difentes informações internas e externas, complementares ou não, cheguei a conclusão de que por mais perdida que me encontre e por mais clareza que tenha ou perceba nos que cercam, há um momento que só eu posso decidir que rumo dar à tudo isto.
Posso ter empatia pelas "dores" dos outros, os outros podem ter empatia pelas minhas "dores". Mas fato é que só eu vou poder alterar o que quer que seja na minha vida e rumo que quero dar à ela.
Por mais ajuda que procuremos nos outros, nas terapias, nas religiões, nos ensinamentos todos que porventura nos caem nas mãos, há um momento onde teremos que resumir tudo isto numa ação, numa atitude, numa escolha seguida de atitude.
Passei anos da minha vida estudando para poder ajudar as pessoas, querendo ajudar uma em especial, e muitas vezes acredito que completei esta ação, fiz a diferença na vida de algumas pessoas. Mas passei muitos anos me perguntando o que poderia fazer pela pessoa "especial" e a resposta que tinha era de que um dia ela faria a escolha dela e tudo ficaria bem.
Hoje vejo este milagre acontecendo diante dos meus olhos e sou feliz e grata por isto.
Mas muitas foram as vezes em que já não sabia no que acreditar.
Uma vez vi um filme sobre refugiados japoneses que tinham imigrado, e neste filme contavam a estória de uma mulher que passando muita necessidade de todas as ordens, via as suas filhas bebés morrem aos poucos, e perdendo a esperança de poder ajuda-las deixou-as ao longo do caminho. Passado muitos anos, ela se cobrava ter perdido a esperança no futuro daquelas meninas.
Quantas vezes fazemos isto nas nossas relações, nos nossos projetos, com os nossos sonhos, com os nossos filhos, nas nossas relações ?
Há um momento nas nossas vidas, onde só o que apetece é "desaparecer" ou "dormir" até que tudo tenha se resolvido.
Bem é neste momento que estamos na fase do: no que acreditar ?
Hoje, depois de dias tentando encontrar uma solução pacífica para uma situação com a minha filha mais velha, e ter feito milhares de "procuras" e ter encontrado inúmeras "respostas", sei que no que quero acreditar. Mas nem sempre é fácil seguir o que acredito ou no que acredito.
Mas do fundo do meu coração sei que ela só está me ensinando algo sobre eu mesma, sobre no que acreditar.
Se por vezes se achar no ponto de viragem entre no que acreditar e no que fazer, lembra somente de manter a sua fé e esperança naquilo que primeiramente sentiu dentro do seu coração.
Amar é um exercício diário da superação de todas as suas qualidades e transformação de todos os "defeitos" em relação a sua própria vida e o seu caminho.
E isto requer de cada um de nós um ACREDITAR em nós, em Deus... na vida !
Nascemos para sermos e fazermos outros felizes.  Cada pessoa que encontramos está juntamente connosco tecendo o tapete da vida.
Hoje já sei porque da frase : ser mãe é padecer no paraíso...risos... e agradeço a Deus pelas nossas meninas e pela capacidade delas de me ensinarem a ser melhor e a ter mais conhecimento de mim mesma.
Como disse uma vez uma amiga minha sobre o amor : " Eu pensava que amava toda gente, que compreendia e vivia o amor universal. Mas só quando fui mãe é que descobri realmente o que era o amor e a capacidade de dar mesmo quando pensamos que já não temos o que dar. Então percebi que amor universal era aquele que a minha filha estava me ensinando."
Até hoje penso nas verdades desta frase e faço delas minha.
Que todos possamos ser capazes de amar e acreditar, e em especial, que possamos ser capazes de reconhecer os nossos limites e se não pudermos suplanta-los, reconhece-los e trabalha-los de forma consistente e harmoniosa.
 
Sugestão de livros :
Amar é Libertar-se do Medo e Perdoar - Geraldo G.  Jampolsky


Escrito por Jaqueline Reyes às 20h38
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"Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é" - Caetano Veloso
 
Ler esta frase ou ouvi-la sempre me fez pensar sobre : Quem sou eu ?
 
Como responder a esta pergunta sem olhar para todo o eu que fui e todo o eu que sonhei ser, ou ainda, ao eu que gostava de ser mas que de todo continuo a fazer o meu melhor para sê-lo.
 
Olhando para o passado vejo que ouveram muitos "eus" dentro de mim que precisaram vir ao de cima para eu poder perceber com maior clareza o eu que gostava de ser. Precisei tropeçar nos meus medos e egos, nas minhas sombras para poder perceber que existiam e que poderiam fazer da minha vida um eterno andar em círculos ou servirem de degraus para os próximos passos em direcção ao que descobri queria ser.
 
O tempo do verbo é mesmo este :"queria". Já que ao longo do caminho fui mudando e mudando e mudando, e as muitas mudanças deram origem ao processo de descascar as várias camadas dos "euzinhos".
 
Ouvi de muitas bocas : pensei que já tinha tratado disto ou isto é assunto resolvido.
 
Ouvi-me dizer as mesmas frases também cada vez que alguém ou algo me fazia defrontar com os padrões que tinha trabalhado tanto para transformar ou largar de vez na esperança deles desaparecerem.
 
Bem, feliz ou infelizmente quando começamos o processo do descascar as camadas dos "euzinhos" é um aprofundar de tudo sempre.
 
Por exemplo, quando queremos trabalhar o perdão começamos por primeiro limpar a "raiva" ou "mágoa" associadas a(s) pessoa(s) ou situação(s).
 
Quando finalmente conseguimos olhar para "aquele(a) tipo" e pensar que ele(a) já não me desperta raiva ou nenhum dos sentimentos "pesados" relacionados a ele anteriormente é o começar de toda uma "revolução" interna e externa.
 
Depois de não "sentirmos" precisamos aprender o processo seguinte que é o da compreensão e compaixão, que nesta fase é conseguir se colocar no lugar do outro e ver tudo através do ponto de vista dele(a). Nem sempre é fácil fazer isto, em especial porque nem sempre temos os mesmos conceitos que o outro(a) tem e que o(a) fez agir de tal forma.
 
Mas quando chegamos neste patamar, começamos a abrir o nosso coração e quanto mais abrimo-nos a isto, mais sentimos compaixão e de repente esta compaixão se transforma em perdão, aceitação... amor.
 
Para cada lição ou acontecimento ou pessoa é um novo desafio de aprender as mesmas lições de distintas maneiras e em graus cada vez mais profundos.
 
É desta maneira que vamos "descascando" as nossas camadas, que vamos nos tornando no que queremos ou sentimos ser a nossa "essência".
 
Por isto aprendemos a todo instante a ser quem desejamos ser, e neste processo muitas vezes vamos de novo nos deparar com os "euzinhos" e nem por isto devemos achar que "evoluímos" pouco. Nada disto, quanto mais os "euzinhos" aparecerem mais firme deve ser a sua vontade de transformar a si mesmo, porque eles só se rebelam quando sentem que estão perdendo terreno, ou seja, estão tendo cada vez menos poder sobre nós "euzinhos".
 
Um dia em fim vamos chegar ao nosso cerne e descobrir o ser lindo que somos todos e que as "sombras" dos "euzinhos" eram necessárias para crescermos e verificarmos que podemos tudo.
 
Por isto, é que somente cada um de nós sabe a própria delícia de ser o que se é.
 
Mesmo que tudo esteja parecendo andar ao contrário do que se quer, acredita que estamos no lugar certo, no momento certo e fazendo o que é suposto estarmos fazendo neste exato momento.
 
Só precisamos de parar um pouco e saber apreciar, validar, o que já fomos, o que somos e todo o trabalho já feito. Depois é seguir o nosso caminho em direção ao que verdadeiramente somos, o nosso : Eu Sou !
 
E lembra somos deuses em ação !
 
Somos tudo o que "acreditarmos" ser e vivemos tudo o que "acreditamos" precisar viver."


Escrito por Jaqueline Reyes às 19h28

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