quinta-feira, 5 de março de 2015

que nada nunca se perca...


que nada nunca se perca...

...que nada nunca se perca da gente é um sentimento dos que vivem longe, dos que gostariam de estar presentes e não podem por qualquer razão.
Olhando para as minhas filhas penso que não as quero perder de vista, que quero poder acompanhar todos os passos, todas as respirações e não por controle, mas para poder viver um pouco mais elas e delas. Vou tomando consciência a cada dia que passa da transitoriedade da vida, do quão fugaz pode ser 365 dias... do quão pouco podemos contra o que nos cabe na vida.
Podemos fazer muitas escolhas dentro de um conjunto de escolhas, mas não podemos criar outras escolhas para além destas... pelo menos não agora e então o jeito é perceber o que de melhor podemos fazer com o que temos, com o que escolhemos ser ou viver. Maktub é isto, já está ou assim é, não tem haver com falta de escolha tem haver com todas as escolhas feitas anterioremente.
Olho para o passado não com saudades, mas com a certeza de que errei, graças a Deus, e que até acertei, também graças a Deus, porque até ter claro para mim que era eu a única pessoa de fazer as minhas escolhas, de tomar conta do rumo da minha vida, deixei ao léu, ao acaso, esta possibilidade infinita de ser feliz ou infeliz por minha responsabilidade exclusiva.
Que nada nunca se perca, é a vontade de abraçar as escolhas todas e dizer que adorava ter vivido a maior parte delas, mas por medo ou por coragem ainda não sei, não fiz aqueles caminhos... o que sei é que não queria perder nada na minha vida. A minha ânsia de viver era maior do que qualquer coisa, o medo de perder também... mas perdi familiares, amigos, perdi tempo, perdi saúde, perdi abraços, perdi amores... perdi muito e tanto.
Por outro lado ganhei tudo o que sou, tudo o que faço, tudo o que escolhi... e estou bem, sou uma sobrevivente de mim mesma com tudo o que isto enceta.
Hoje não queria perder os abraços da minha mãe, mesmo que nem sempre seja fácil ser sua filha... ou ela de ser minha mãe... numa família de mulheres poderosas...risos... nem sempre é fácil ser quem se é. Tenho orgulho dela, mas também tenho muito o que falar...risos... e digo tudo clara e suavemente para ela... não dá para acertar sempre, mas ela me deixou experimentar a vida mesmo quando não sabia o que isto queria dizer no concreto... me deixou crescer e hoje vejo que não é fácil dar asas as minhas filhas... mas ela me deu asas, me ensinou a voar e a querer mais da vida.
É desta mulher que tenho saudades... que nada nunca se perca desta mulher em mim e nas minhas filhas.
Porque um dia chega que só o que fica são as saudades e as lembranças, então é assim... que nada nunca se perca!
A vida nos dá hoje para dizer e viver tudo e todos, amanhã é uma esperança e um sonho...




Escrito por Jaqueline Reyes às 12h04

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